5 lições que aprendi com “Amor Líquido”

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O livro Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos foi escrito por Zigmunt Bauman, um sociólogo polonês, e aborda vários aspectos dos relacionamentos modernos, amorosos, familiares ou meramente sociais, e o caráter descartável que eles passaram a ter ao longo dos anos. O próprio autor dedica o livro “aos riscos e ansiedades de se viver junto, e separado, em nosso líquido mundo moderno.”

Longe de nós sermos críticas ou grandes conhecedoras da área das ciências humanas, mas gostamos de tentar entender o mundo no qual vivemos, incluindo o comportamento humano. Isso porque ás vezes temos a sensação de que está tudo errado, principalmente no quesito relacionamento, mas as pessoas insistem em continuar fingindo que está tudo bem (ou realmente acreditam nisso). Será que estamos ficamos loucas? Ou nos tornamos conservadoras demais sem perceber? Por isso, ler livros como esse nos faz pensar que existe muita gente questionando essa sociedade líquida que estamos vivendo, assim como nós.

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Fonte: Saraiva

Assim, resolvemos enumerar 5 lições importante que foram aprendidas ou confirmadas com essa leitura.

1- Pessoas não são coisas

O livro detalha muito bem como as relações humanas estão se deteriorando e se transformando em algo com viés comercial. As pessoas tratam a si mesmas e as outras como mercadorias massificadas e empacotadas, de consumo rápido e descartável. O que parece bem óbvio para quem gosta de observar o comportamento humano,  é confirmado pelo estudioso.

“A promessa de aprender a arte de amar é a oferta (falsa, enganosa, mas que se deseja ardentemente que seja verdadeira) de construir a experiência amorosa à semelhança de outras mercadorias, que fascinam e seduzem exibindo todas essas características e prometem desejo sem ansiedade, esforço sem suor e resultados sem esforço.”

2- As pessoas não são livres, elas tem medo de amar

Segundo o livro, as pessoas tentam evitar todas as responsabilidades e problemas que vêm junto com um relacionamento sério e, por isso, acabam optando por relações alternativas, rápidas e frágeis, sem grande apego emocional ou sacrifício pessoal, os chamados “relacionamentos de bolso”, que chegam a ser incentivado por muitos “especialistas”. O início e o término da relação são feitos com igual velocidade, o que pode acabar provocando muita ansiedade e sofrimento.

“Eles garantem que seu desejo, paixão, objetivo ou sonho é relacionar-se. Mas será que na verdade não estão preocupados principalmente em evitar que suas relações acabem congeladas ou coaguladas?”

3- As pessoas estão mais perdidas do que nunca

Apesar do foco do livro ser relacionamento interpessoal, e não a sociedade em si, é interessante perceber que as relações cada vez mais superficiais provocam a sensação de confusão e solidão e como isso influencia o funcionamento da sociedade em geral, uma vez que é difícil encontrar em quem se possa confiar.

“Em nossa sociedade supostamente adepta da reflexão, não é provável que se reforce muito a confiança.”

4- Se você não ama os conhecidos, como poderá amar aqueles que não conhece?

Se você não consegue estabelecer e nutrir o relacionamento com pessoas comuns no seu convívio social, certamente também não irá se importar REALMENTE com a criança que está morrendo vítima de bala perdida na favela, ou de fome durante a guerra. Me refiro não apenas a dizer que está triste com a situação do outro, mas de fato fazer algo para ajudar. Isso também está relacionado com a comercialização do relacionamento, que deve ser baseado na troca e no quanto o outro pode fazer o mesmo por mim.

“se ele é um estranho para mim e se não pode me atrair por qualquer valor próprio ou significação que possa ter adquirido para a minha vida emocional, será difícil amá-lo.”

5- Estamos cada vez mais isolados nos nossos mundos

E por mundo se entende mente, círculo social, casa, condomínio… Os mesmos muros que nos protegem, nos afastam das pessoas ao nosso redor. Já não sabemos quem são os nosso vizinhos, não queremos companhia de quem pensa diferente de nós, ou de quem vive uma realidade muito diferente da nossa. Isolamento geográfico, físico e social. E falta de amor ao próximo. É claro que no Brasil o fator violência influencia muito no desenvolvimento desse tipo de comportamento, já que somos reféns dentro de nossas próprias casas, mas a questão aqui é o medo/receio/falta de vontade de permitir que pessoas diferentes entrem nas nossas vidas.

Muitas outras coisas são abordadas no livro, como a questão da imigração e das perspectivas sombrias para o futuro, mas resolvemos parar por aqui mesmo (para o post não ficar muito longo). Mas fica aqui o meu convite para essa ler Amor Líquido, não com o objetivo de tirar suas esperanças da humanidade, mas para refletir sobre verdades cruas que o autor traz em sua escrita.

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