Lições da Dama de Ferro

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Nas últimas semanas finalmente consegui assistir uma série que eu queria ver a muito tempo: The Crown. Assisti logo as duas temporadas e já estou contando os dias para a próxima. Assistindo a série, fiquei muito curiosa com a aspectos históricos e políticos que envolvem a Grã-Bretranha, bem como as pessoas por trás de todos os acontecimentos retratados ou não na série. Buscando mais informações, achei alguns filmes interessantes, como “A Dama de Ferro”, lançado em 2011, filme biográfico de Margaret Thatcher, a primeira-ministra MULHER do Reino Unido, que passou cerca de 11 anos no poder e participou de decisões importantes que moldaram seu país como conhecemos hoje.

Margaret Thatcher também é conhecida por suas posições políticas controversas (muitos criticam seu legado até hoje). Porém o foco desse post não é realizar uma crítica cinematográfica ou uma análise política da primeira-ministra, mas focar nos seus aspectos realmente pessoas, assim como seu posicionamento e opinião forte, traços bem retratados no filme.

 

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Fonte: Antena 1

O que podemos aprender com ela? Segue a lista:

1- Algumas coisas são inegociáveis

O filme mostra uma Margaret Thatcher fiel aos seus príncipios, independentemente de influências e acontecimentos externos, o que a tornou uma pessoa tida como inflexível em muitos aspectos (não é a toa que os soviéticos passaram a chamá-la de Dama de Ferro). A questão é que apesar de vivermos numa época em que se prega o diálogo como solução principal para todos os conflitos, é preciso lembrar que algumas coisas não podem ser negociadas, a não ser que você esteja disposto a abrir mão de quem você é e dos seus princípios.

2- Não se importe tanto com a opinião dos outros

Ela levou isso ao extremo, como você pode perceber vendo o filme ou estudando história. Foi fiel ao que acreditava ser o certo até o fim. Pagou caro por isso, com certeza, afinal ser primeira-ministra de um país que passava por vários problemas econômicos não deve ter sido fácil. Mas Margaret Thatcher se tornou um exemplo (para mim pelo menos) de alguém que realmente conseguiu ignorar a pressão externa e colocar em prática aquilo que acreditava.

3- Você se torna aquilo que pensa

Numa determinada cena do filme, Thatcher, já idosa, é questionada pelo médico quanto ao que sentia. Então ela responde dizendo que vivemos numa época na qual as pessoas se preocupam mais com o que sentimos, do que com pensamentos e ideias, e cita alguns versos de Frank Outlaw:

“Vigie seus pensamentos, eles tornam-se palavras.
Vigie suas palavras, elas tornam-se ações.
Vigie suas ações, elas tornam-se hábitos.
Vigie seus hábitos, eles formam seu caráter.
Vigie seu caráter, ele se torna seu destino.”

Ás vezes o que você sente é apenas um sintoma de que algo está errado na sua mente. Passe a se preocupar e a vigiar os seus pensamentos a respeito de si mesmo e do mundo a sua volta. As ideias e crenças que você constrói dizem muito mais sobre você do que você imagina.

4- Na vida é preciso tomar decisões difíceis

Durante todo o seu governo enquanto primeira-ministra, Thatcher teve que tomar decisões difíceis, se portando como uma líder que gostava de pensar nas consequências para o futuro, mesmo que contrariasse os anseios da população. Enfrentou muitos protestos populares e resistência dentro do próprio partido. Entrou numa guerra. Mandou afundar navios. Incontáveis decisões difíceis, derivadas de uma história complexa e consequências complicadas de lidar. É preciso ter muito coragem para tomar esse tipo de decisão.

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Fonte: Caras

Isso tudo me faz lembrar de outra frase de um personagem icônico que marcou minha adolescência, e que ainda reverencio na idade adulta. Alvo Dumbledore, personagem do universo de Harry Potter criado pela escritora J. K. Rowling, disse a seguinte frase:

“Tempos difíceis nos aguardam e em breve teremos que escolher entre o que é certo e o que é fácil.”

Muitas vezes, seguir pelo caminho certo implica em enfrentar grandes desafios, e isso exige de nós coragem, dedicação e resiliência. E tenha a certeza de que esse tipo de decisão será necessária em algum momento na vida de todos nós.

5- Você pode alcançar o topo

Quem diria que a filha do quitandeiro chegaria ao cargo político mais alto da Grã-Bretanha em plena 1979? Margaret Thatcher lutou muito para alcançar esse cargo. Com certeza engoliu muita coisa e fez muitos sacrifícios para chegar ao topo numa época muito mais difícil para ser mulher, comparado ao momento atual. Isso só demonstra que, seja lá qual for o “topo” que você deseja alcançar, você deve acreditar que seu objetivo é possível e lutar por isso.

Uma frase atribuida a ela e que não está no filme, mas é muito pertinente nesse tópico, é a seguinte:

“As pessoas acham que no topo não há muito espaço. Elas tendem a pensar no topo como um pico do Everest. Minha mensagem é que há uma imensidão de espaço no topo.”

Pense nisso.

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Fonte: Libertarianismo

Uma reflexão

Depois de assistir o filme, fiquei muito curiosa para ler os livros de Thatcher (ela tem vários), porque certamente eles são bem mais completos do que o filme, e fiquei chocada com a dificuldade em encontrar seus títulos em português. Sua autobiografia e o livro “A arte de governar” são os livros que eu gostaria de ler, mas simplesmente estão indisponíveis ou esgotados em quase todo o site que procurei. Isso ocorre porque a procura é grande (no Brasil?) ou por conta do posicionamento conservador da primeira-ministra? Estranho… Talvez a solução seja me virar no inglês mesmo…

Enfim, convido você a ler sua história ou assistir o filme. Tenho certeza de que vai aprender muito.

 

5 lições que aprendi com o filme Sociedade dos Poetas Mortos

Acreditem se quiserem: só assisti esse filme ontem! E não deveria ter demorado tanto tempo… Não sei se todos já assistiram, por isso resolvi falar um pouco sobre ele aqui (ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!).

Sociedade dos Poetas Mortos é um filme denso e cheio de ensinamentos, especialmente para quem, assim como eu, está sedento por mudanças e crescimento pessoal. Mas calma! Não se trata de um filme de auto-ajuda, mas que provoca bastante reflexão.

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O drama foi lançado em 1990, mas retrata a vida dos alunos numa escola chamada Welton Academy, em 1959. Trata-se de um internato bem rígido e tradicional, exclusivo para garotos, e que claramente conta com alunos cujos pais alimentam grandes expectativas para o futuro de seus filhos, que devem seguir carreiras tradicionais.

Tudo muda com a chega do Professor Keating (interpretado por Robin Willams), que leciona poesia de uma maneira bem diferente. Ele provoca os alunos a pensarem por si mesmos, a se expressarem e viverem intensamente, além de incentivar a criação da Sociedade dos Poetas Mortos, uma sociedade secreta na qual os alunos se reuniam para lerem poesia e conversarem assuntos diversos fora do ambiente da escola.

É nesse contexto que aprendemos várias lições valiosas que podem ser aplicadas na nossa vida. Separei 5 lições explicadas a seguir.

1- Carpe diem

Quem nunca ouviu essa expressão que atire a primeira pedra.  Carpe diem é uma expressão em latim que significa aproveite o dia e que foi citada pelo Professor Keating em uma das primeiras cenas na qual ele aparece incentivando os alunos a viverem intensamente, pois o tempo passa rápido e um dia não estaremos mais aqui. Eu deveria escrever isso em todas as paredes no meu quarto para ver se aprendo! Às vezes ficamos tão focados nos problemas e em garantir um “futuro melhor”, que esquecemos de aproveitar o que há de melhor na nossa vida hoje. Isso não significa que devemos ser irresponsáveis  e vivermos como se não houvesse amanhã, mas que precisamos ter consciência de que a vida é passageira e, por isso, precisamos aproveitar o melhor das situações e dos momentos com as pessoas que amamos no presente.

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2- Saia da zona de conforto

Durante toda a história o Professor Keating colocava os alunos em situações pouco convencionais, de acordo com a escola, na tentativa de fazê-los sair da zona de conforto, fosse saindo da sala de aula, rasgando o livro de poesia, gritando, subindo na mesa do professor…Ele realmente queria que os alunos expressassem o que eles  sentiam e o que  queriam. Tudo isso me fez pensar que “pensar fora da caixa”, fugir do padrão, é um grande desafio para nós porque fomos ensinados/doutrinados a sermos iguais, a atendermos as expectativas da maioria, a enxergarmos apenas o que está a nossa frente. Eu quero sair da minha zona de conforto!  Eu quero enxergar além! Ver outras possibilidades na minha vida e buscar isso! No princípio pode ser difícil, como foi para os alunos de poesia realizar as tarefas exigidas pelo Professor, mas acredito que buscar o novo é libertador!

3- Questione sempre!

Uma cena icônica do filme mostra um dos alunos lendo a introdução do livro de poesia, a pedido do Professor Keating. Após a leitura, que basicamente comparava o ato de fazer poesia com uma ciência exata, o Professor pediu que alunos rasgassem essa parte do livro e, em seguida, convidou-os a questionarem todos os autores, tudo o que liam, e expressassem suas próprias opiniões sobre os assuntos. Pense por si próprio!! Essa é a lição. Não se deixe levar por pensamentos e avaliações externas. Não importa o quão importante a outra pessoa se intitula. Você é um ser pensante e tem sim capacidade para avaliar o que lê ou escuta. Desenvolva essa habilidade crítica em sua vida e questione sempre.

4- Trilhe seu próprio caminho

Ninguém pode viver sua vida por você. Se você tem um sonho, um objetivo, corra atrás disso, mesmo que contrarie a expectativa dos outros sobre você. Foi o que tentou fazer o personagem Neil Perry (interpretado por Robert Sean Leonard, o eterno James Wilson da série House). De uma família conservadora, o pai esperava que Neil fizesse medicina, e não aceitava nenhum questionamento quanto a isso. Após a convivência com o Professor Keating, e seu engajamento na Sociedade de Poetas Mortos, ele descobre seu talento para o teatro. Então ele tenta participar de uma peça, mesmo contrariando seus pais, e consegue o papel. É disso que falo sobre trilhar seu próprio caminho. Sei que é difícil, pois ainda estou tentando encontrar o meu. O que eu sei é que não pautar minha vida na opinião de terceiros, nem percorrer o mesmo caminho que os outros, só porque “todo mundo fez assim”. Absorva essa ideia: Você não é todo mundo! Então viva a sua própria vida!

5- Não desista da vida por causa das dificuldades

No último tópico eu disse que o personagem Neil tentou trilhar o seu próprio caminho. Tentou. Após a apresentação da peça seu pai o levou para casa. Inconformado com o desejo do filho de virar ator, ele diz para Neil que vai tirá-lo de Welton e enviá-lo a um Colégio Militar e que, depois, ele iria fazer medicina, exatamente como a família havia planejado. Neil praticamente entra em estado de choque e sequer consegue discutir com seu pai. Sem conseguir enxergar uma saída para a situação, Neil pega a arma do pai e se mata. Suicídio. Nunca tive esse tipo de pensamento, mas consigo imaginar a angústia de uma pessoa para tomar tal atitude. Sei que muitas vezes não conseguimos encontrar saída para os problemas que encontramos durante a vida, mas acredito que, por pior que seja a situação, não podemos nos desesperar. O próprio Professor Keating havia ensinado durante a aula: Aprenda a ver as situações por outro ângulo, mas tomado pelo desespero e decepcionado por não viver a vida que imaginava, Neil não conseguiu se lembrar disso. Se você, assim como Neil, não consegue enxergar uma luz no fim do túnel, converse e procure ajuda profissional. Você não está sozinho. As dificuldades vão passar.

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Eu subo na minha mesa para lembrar a mim mesmo que nós devemos constantemente olhar as coisas de uma maneira diferente.

Apesar dos spoilers, o filme ainda tem muito o que acrescentar, por isso recomendo muito assistir e a aprender com ele.